As quatro cores

Quatro jeitos de estar na mesma sala.

Ninguém é de uma cor só, mas quase todo mundo tem uma que manda. Abaixo, o que cada uma faz bem, o que cada uma custa, e o que acontece quando duas se encontram.

Fazer o teste

Vermelho

a ação

Você é quem faz a coisa sair do papel.

Você decide rápido, com a informação que tem, e vai ajustando no caminho. Enquanto o resto da mesa avalia, você já começou. Isso não é pressa. É uma conta que você faz sem perceber: decisão tomada e corrigida custa menos que decisão perfeita e atrasada. Na maior parte das vezes, você tem razão.

E você fala o que está travando quando ninguém quer falar. Numa equipe empacada, quem tira o grupo do lugar é você.

O preço. Às vezes você avança rápido na direção errada. E como avança sozinho, demora pra descobrir. O que você chama de eficiência, quem está do lado sente como atropelo: a decisão já tinha sido tomada antes de a pessoa entender que existia uma decisão ali.

Você também subestima o tempo dos outros. Já aconteceu de você se levantar da mesa e perguntar "vamos?" enquanto a outra pessoa ainda estava comendo.

Com os outros. Dois vermelhos na mesma equipe funcionam, desde que cada um tenha o seu perímetro. Sem fronteira clara, os dois avançam pra lados diferentes e o projeto fica esquizofrênico.

O seu oposto é o verde, e não é coincidência que ele te equilibre: ele enxerga o que a sua velocidade não deixa ver. Se tiver um verde perto de você que diga "espera", segura essa pessoa.

Você provavelmente respondeu esse teste rápido. Já era.

Azul

o processo

Você pensa antes de agir, e isso salva mais projeto do que se admite.

Você quer conhecer o terreno antes de pisar. Junta dado, monta o processo, antecipa o que pode dar errado. Quando você diz que está pronto, está mesmo. É por isso que as pessoas confiam no que sai da sua mão.

Você é o único da mesa que lê as regras antes de começar o jogo. Parece lento, até a hora em que o grupo descobre que estava jogando errado desde o começo.

O preço. Existe um ponto em que preparar vira adiar. Você conhece bem aquela viagem planejada em detalhe, dia por dia, restaurante por restaurante, e que nunca aconteceu. O plano ficou lindo. A viagem ficou pra depois.

E você pede mais informação do que a decisão precisa. Nem toda escolha merece o mesmo rigor. As que dá pra desfazer podiam levar cinco minutos, e você gasta duas semanas nelas.

Com os outros. O seu complementar é o amarelo. Ele tem as ideias que você não teria e você tem o método que ele nunca vai ter. Juntos, ideia vira coisa entregue. Separados, ele acumula projeto pela metade e você acumula plano na gaveta.

Com o vermelho o atrito é garantido, e é saudável. Ele te tira do plano. Você tira ele do precipício.

Amarelo

as ideias

Você tem mais ideias por minuto do que consegue realizar numa vida inteira.

Você enxerga ligação onde os outros não veem nada, transforma conversa morna em assunto bom e acende uma sala parada. Quando o problema não tem saída óbvia, a saída que ninguém tinha pensado costuma vir de você.

Você gosta de estar no centro. E faz isso bem, porque as pessoas escutam.

O preço. Você começa muito mais do que termina. A ideia nova é sempre mais interessante que a de ontem, e a de ontem fica pela metade. A sua pasta de projetos é um cemitério de coisa boa.

E você demora pra escolher. Provavelmente demorou nesse teste. Escolher fecha porta, e fechar porta é o que você menos gosta de fazer na vida.

Com os outros. Dois amarelos no mesmo grupo costumam dar conflito, e não é antipatia. É que os dois querem o mesmo lugar, e só cabe um por vez.

Equipe só de amarelo não sai do lugar. Ideia demais, entrega de menos. O seu complementar é o azul, a companhia mais útil que você pode arrumar: é ele que pega a sua ideia e transforma em coisa entregue.

Verde

as pessoas

Você sente o clima antes de alguém abrir a boca.

Percebe quando a pessoa não está bem, mesmo quando ela diz que está. Entra numa sala e sabe que teve briga ali. Sabe quem ficou de fora da conversa. Isso não é dom. É atenção, e é raro o suficiente pras pessoas confundirem com dom.

Você é quem segura o grupo junto. Sem você, a equipe rende no papel e desmancha na prática.

O preço. Você engole. Adia a conversa difícil pra proteger a relação, e às vezes o que protege a relação hoje é exatamente o que a corrói em seis meses. O problema que não foi dito não some. Ele só passa a ser seu.

E você dá mais do que pede. Ninguém repara, porque você não avisa.

Com os outros. Equipe só de verde não avança. Todo mundo cuidando, ninguém decidindo.

O seu oposto é o vermelho, e essa é a relação mais produtiva e mais irritante que você vai ter. Ele diz na hora o que você levaria três semanas pra dizer. Você enxerga o custo humano que ele não vê.

Tem uma piada em que os quatro estão na selva e aparece uma onça. O verde manda todo mundo largar a mochila pra correr mais rápido. O vermelho responde que não precisa correr mais rápido que a onça, só mais rápido que os outros. Os dois estavam certos. Sobre coisas diferentes.

Coringa

o equilíbrio

As suas quatro cores empataram, e isso é raro pra caramba.

Existem 262.144 maneiras de responder esse teste. Só 1.536 delas dão o que você acabou de tirar: as quatro cores paradas em 10 ou 11 pontos, com a soma fechando em 42. Menos de 0,6%. É o equilíbrio perfeito que o teste permite. Você chegou nele.

Como você funciona. Você ocupa o lugar que está vazio. Se ninguém está decidindo, você decide. Se ninguém está olhando pras pessoas, você olha. Não é camuflagem nem falta de personalidade. É uma leitura rápida do que falta no grupo e uma disposição pra preencher.

Por isso o coringa costuma ser bem-querido por todo mundo. Você não disputa o lugar de ninguém, porque o seu lugar é justamente o que sobrou. Cada cor te reconhece um pouco. E quando o grupo trava entre dois perfis que não se entendem, sobra pra você traduzir um pro outro.

Já te disseram que você é difícil de definir. Provavelmente mais de uma vez.

O preço. Quem ocupa o espaço vazio corre o risco de nunca ocupar o próprio. Se você vive compensando o que falta, dá pra chegar no fim de um projeto sem saber o que você queria dele. E como ninguém consegue prever a sua reação, às vezes confiam menos em você do que confiariam em alguém mais previsível.

Ser o que falta é útil. Mas de vez em quando alguém precisa perguntar o que você quer. E esse alguém vai ter que ser você.


Três histórias

Para copiar e colar no grupo do trabalho.

A onça

Os quatro estão na selva e aparece uma onça. O verde manda todo mundo largar a mochila pra correr mais rápido. O azul diz que onça não persegue quem fica parado, e que ele leu isso. O amarelo já está filmando. O vermelho responde que não precisa correr mais rápido que a onça, só mais rápido que os outros. E sai correndo.

O restaurante

Os quatro vão jantar. O amarelo manda sete lugares no grupo, todos ótimos, nenhum decidido. O azul abre as avaliações, confere o horário de fechamento e pergunta se alguém tem restrição alimentar. O verde diz que tanto faz, que ele vai no que a maioria quiser. O vermelho reserva um. Ninguém reclama, e todo mundo fica com um pouco de raiva.

A viagem planejada

O azul planejou a viagem inteira. Dia por dia, restaurante por restaurante, com plano B pra chuva. O documento tem quatorze páginas e é uma beleza. A viagem foi adiada duas vezes e nunca aconteceu. O vermelho, que não planejou nada, foi no feriado seguinte e voltou com foto.


A dinâmica entre elas

Os pares que se encaixam, os que se estranham, e o que acontece com uma equipe inteira da mesma cor. Isso é mais fácil de mostrar falando.

Vídeo em breve.

Os pares complementares

Vermelho com verde, amarelo com azul. Por que irrita e por que funciona.

Vídeo em breve.

Montar uma equipe

O que acontece quando há dois vermelhos, e o que acontece quando só há verdes.


O que cada pergunta mede

Cada uma das seis perguntas é um eixo só, entre duas cores.

  1. 1orientação a resultado × orientação a pessoas
  2. 2extroversão × introversão
  3. 3decisão pelo afeto × decisão pela razão
  4. 4orientação à reflexão × orientação à ação
  5. 5enfrentar o conflito × evitar o conflito
  6. 6organização × espontaneidade

Você já sabe o que irrita as pessoas em você.

Fazer o teste